domingo, 31 de outubro de 2010

Flor da honestidade


Conta-se que, por volta do ano de 250 a. C., na China, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele dever-se-ia casar. Sabendo disso, resolveu fazer uma “disputa” entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de ser sua esposa.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia todas as pretendentes numa celebração especial, e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua filha nutria um sentimento de profundo amor pelo jovem. Ao chegar a asa e ao relatar à moça, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração e indagou, incrédula:
- Minha filha, o que vais lá fazer? Estarão presentes as mais belas e ricas moças da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça. Sei que tu deves estar sofrendo, mas não tornes o teu sofrimento uma loucura. E a jovem respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo, e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas será a oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do meu amado. Só isso já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de facto, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida a minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do rapaz não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava a especialidade de “cultivar” algo. O tempo passou, e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava de sua semente com muita paciência e ternura, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria de se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada brotou. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas em vão.

Por fim, os seis meses passaram sem que nenhuma planta tivesse surgido. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada ela lá estava, com o seu vaso vazio, no meio de todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. A jovem estava admirada; nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente, chegou o momento esperado, e o príncipe observou cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado e indicou a filha da velha senhora como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque escolheu ele, justamente, aquela que nada havia cultivado.
Então, calmamente, o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade. Pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Comunidade Vida e Paz

Está aí a Festa de Natal com as Pessoas Sem-Abrigo 2010, que decorre a 17, 18 e 19 de Dezembro, na Cantina 1 da Universidade de Lisboa!
Como sabes, é o grande evento da Comunidade Vida e Paz, porque representa uma oportunidade privilegiada de partilhar algum conforto com os nossos convidados sem-abrigo e mostrar que renascer para uma nova vida pode estar à distância duma decisão!

Entre as refeições caseiras, banhos quentes, roupa limpa e outras pequenas lembranças do que é uma vida normal, queremos dar os nossos sorrisos e atenção. Ora, como estas são as pessoas que conhecemos da rua e procuramos motivar para a mudança, precisamos muito dos nossos voluntários regulares para cumprir os objectivos de humanização da festa – e queremos contar contigo, porque não há ninguém melhor que nós, que os conhecemos e ajudamos, para os fazer decidir: “a minha vida vai mudar!”

A Festa de Natal é um esforço logístico massivo e toda a ajuda é bem-vinda – traz a tua experiência e boa-vontade para a Cantina 1!
É só seguir os passos:
·  Passo 1: acede ao formulário de pré-inscrição em http://voluntario.cvidaepaz.pt
·  Passo 2: insere os teus dados e escolhe o teu dia preferido para a sessão de esclarecimento
·  Passo 3: escolhe as áreas e horários em que gostarias de dar a tua contribuição
·  Passo 4: confirma a tua pré-inscrição, que apenas ficará efectiva com a tua presença na sessão de esclarecimento  

Importante: prazo para inscrições termina a 1 de Novembro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis

Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer', e se ele lhe responder lá de dentro: 'Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar'. Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar.» «Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!»

Lc 11,5-13

domingo, 3 de outubro de 2010

Fazer caminho


Por vezes não é fácil percorrer o caminho...o nosso caminho...o caminho que cada um tem que trilhar. 
Amanhã começa um novo trilhar...um caminho novo...e estou cheia de esperança e de coração cheio.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pedra no caminho

Conta-se que um rei que viveu num país além-mar, há muito tempo atrás, era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos ao seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo o que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso. Nada de bom pode vir a uma nação – dizia ele – cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas.


Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.


Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois foi-se esconder atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia. Primeiro veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que levava para a moagem na mó.

Quem já viu tamanho descuido? Disse ele contrariado, enquanto desviava a sua carroça e contornava a pedra. Porque é que esses preguiçosos não mandam retirar esta pedra da estrada? E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra…

Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. A longa pluma de seu barrete ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia da sua cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra e não viu a pedra, por isso, tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado aquela pedra imensa na estrada. Então, ele também se afastou sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.

E assim correu o dia...

Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra no meio da estrada, mas ninguém lhe tocava…

Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho, mas disse a si mesma: já está escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho. E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu-a. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: "esta caixa pertence a quem retirar a pedra". Ela abriu-a e descobriu que estava cheia de ouro…

O rei apareceu então e disse com carinho: Minha filha, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto desviamo-nos deles, se assim preferimos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção, normalmente, é o preço da preguiça. Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, com um delicado boa noite, retirou-se.