E depois de tanto sem escrever voltei, em primeiro lugar, a ter tempo para o fazer e, em segundo lugar, motivos para o fazer. Nestes tempo que vivemos e nunca imaginámos viver estamos privados de tantas coisas que fazíamos e tínhamos como garantidas. Um simples passeio a pé pelo parque, encontrar amigos para um café ou um copo, sair para ver o mar...tantas coisas simples das quais estamos e devemos mesmo estar privados. É temporário, custa, mas é necessário e o mundo vai ter que ser obrigatoriamente melhor depois de tudo isto.
Para muitos a quarentena e o isolamento social parece ser uma "treta" desnecessária mas o certo é que já salvou vidas. Não custa nada, basta ficar em casa. Sabemos que os tempos são difíceis agora mas ainda vão ser mais quando tudo começar a voltar à normalidade, se é que vamos voltar a ser meramente "normais".
Desde dia 16 de Março que foi suspensa a minha atividade profissional presencial, estou em teletrabalho mas algo mais forte e maior me fez pôr o pé e o nariz fora de casa. Estar com as pessoas em situação de sem-abrigo que muito pediam para que ninguém as abandonasse. Senti medo ao ir trabalhar e ter de andar de transportes públicos mas nem sequer senti qualquer hesitação quando o tema foi fazer a nossa volta C da Comunidade Vida e Paz. Faz agora uma semana que saímos para a rua, uma equipa bem mais reduzida do que o habitual mas muito mais ceias do que num dia comum, mais de 200 ceias. E tanta gente que encontrámos com fome. Impressionante! Fizemos a diferença e isso foi o mais importante, e tal como nós saíram mais outras 3 equipas para a rua. Todos com receios mas certos que estávamos a fazer o certo. Será uma noite que não nos sairá da memória: uma cidade vazia de gente, vazia de atividade, vazia de conversas e abraços.
Vai ficar tudo bem!

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