terça-feira, 24 de agosto de 2010

30 anos

Hoje foi da de celebrar a vida...a minha vida...os meus 30 anos de vida. Não poderia ter começado de outra forma...entre amigos...entre muita conversa, animação e loucura q.b.
Obrigado a todos por terem tornado este início de dia fantástico!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Taizé...sempre Taizé

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=81057

Poucas são as pessoas que passam por Taizé e não se sentem tocadas por Deus. Por muitas palavras que se utilizem para descrever o que é a aldeia de Taizé e o que nela se passa isso não é possível. Não se descreve o que cada um sente numa oração comunitária...numa reflexão bíblica ou até mesmo no trabalho comunitário. Taizé sente-se...não se explica.

A Comunidade de Taizé está esta semana em festa...são 70 anos de existência...milhões de jovens e adultos que por lá já passaram. Muito trabalho feito também com as populações mais carenciadas do Mundo. Fantástico este projecto que um simples homem de nome Irmão Roger.
No dia 20 de Agosto de 1940, em plena Guerra Mundial, o irmão Roger chegou sozinho a Taizé, com o projecto de fundar uma comunidade. Morreu a 16 de Agosto de 2005, assassinado por um acto doentio de uma senhora durante a oração comunitária da noite.
Hoje, a Comunidade de Taizé reúne uma centena de irmãos, católicos e de diversas origens evangélicas, vindos quase trinta países diferentes. Através da sua própria existência, ela é uma «parábola de comunidade»: um sinal concreto de reconciliação entre cristãos divididos e entre povos separados.
Os irmãos da Comunidade ganham a sua vida pelo próprio trabalho. Não aceitam qualquer donativo. Nesse mesmo sentido, se um irmão recebe uma herança familiar, a Comunidade oferece-a aos mais pobres.
Alguns irmãos vivem em zonas desfavorecidas do mundo, para serem aí testemunhas de paz perto daqueles que sofrem. Em pequenas fraternidades, os irmãos vivem em bairros degradados na Ásia, na África, na América latina. Procuram partilhar as condições de vida dos que os rodeiam, esforçando-se por serem uma presença de amor junto dos mais pobres, dos meninos de rua, dos prisioneiros, dos moribundos, dos que estão interiormente feridos por rupturas afectivas ou pelo abandono.
Ao longo dos anos, jovens em número cada vez maior chegam a Taizé, vindos de todos os continentes, para viver semanas de encontros. Irmãs de Santo André, uma comunidade católica internacional fundada há mais de sete séculos, irmãs Ursulinas polacas e irmãs de São Vicente de Paulo assumem uma parte das tarefas ligadas ao acolhimento dos jovens.
Pessoas responsáveis na Igreja também vêm a Taizé. A comunidade acolheu assim o Papa João Paulo II, quatro bispos de Cantuária, metropolitas ortodoxos, os catorze bispos luteranos da Suécia e numerosos pastores do mundo inteiro.
A partir de 1962, irmãos e jovens, enviados por Taizé, não cessaram de ir, na maior discrição, aos países da Europa de Leste, para estarem próximos dos que estavam presos dentro das suas próprias fronteiras.






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em Peregrinação

O dia começou cedo...peregrinando em silêncio...

“O silêncio é habitualmente compreendido como algo negativo, algo vazio, uma ausência de sons, de ruídos. Este mal-entendido prevalece, porque muito poucas pessoas já alguma vez experimentaram o silêncio. Tudo o que experimentaram com a designação de silêncio foi a ausência de ruído. Mas o silêncio é um fenómeno totalmente diferente. É indubitavelmente positivo. É existencial, não é vazio. É transbordante de uma música nunca antes ouvida, de uma fragrância que nos é estranha, de uma luz que apenas pode ser vista com o olhar interior.

Não é algo fictício; é uma realidade, e uma realidade que já está presente em cada um de nós – só que olhamos para dentro.

O teu mundo interior tem o seu próprio sabor, a sua própria fragrância, a sua própria luz. E é sem dúvida alguma silencioso, imensamente silencioso, eternamente silencioso. Nunca houve qualquer ruído; jamais haverá qualquer ruído. Nenhuma palavra a pode alcançar, mas tu podes alcançar.

O teu próprio centro de ser é o centro de um ciclone. O que quer que aconteça à sua volta não te atinge. É o silêncio eterno: os dias vão e vêm, os anos vão e vêm, os tempos vão passando. As vidas vão passando, mas o silêncio eterno do teu ser permanece exactamente o mesmo – a mesma música sem som, a mesma fragrância de divindade, a mesma transcendência de tudo quanto é mortal, de tudo quanto é momentâneo.

Não é o teu silêncio.

Tu és ele.

Não é algo que tu possuis; tu és possuído por ele, e é essa a sua grandeza. Tu nem estás lá, porque até a tua presença será uma perturbação.

O silêncio é tão profundo que não existe ninguém, nem sequer tu. E este silêncio traz-te a verdade e o amor e milhares de outras bênçãos.”




"Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo para matar e tempo para curar, tempo para destruir e tempo para edificar, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar, tempo para atirar pedras e tempo para as juntar, tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço, tempo para procurar e tempo para perder, tempo para guardar e tempo para atirar fora, tempo para rasgar e tempo para coser, tempo para calar e tempo para falar, tempo para amar e tempo para odiar, tempo para guerra e tempo para paz."


Eclesiastes 3,1-8




Ao lermos este texto bíblico, vemos que para tudo existe um tempo certo. Deus propõe-nos, a cada dia, uma manifestação nova de si mesmo. Mas para fazer experiência de Deus, é preciso ter coragem para fazer opções.

É preciso ter a coragem de morrer; de morrer para os nossos egoísmos e infantilidades; de arrancar, jogar fora, tudo aquilo que me afasta do Amor de Deus, que me afasta de uma relação de fidelidade com Ele (medos, mecanismos de defesa,auto-suficiência, orgulho, dependências, ...).É preciso ir sem nada. Só quem tem a coragem de se perder, se pode encontrar. Não é fácil, é verdade, mas em meio a choro, a gemidos e lutas internas, nasce o homem/ mulher novo. É preciso desestruturar para depois poder reestruturar. Essa reestruturação atinge as raízes da pessoa. Ela supõe uma reorganização geral das estruturas da personalidade. Agora é tempo de plantar, de curar velhas feridas, de construir, de buscar, de guardar, de paz. É tempo de rir, de bailar, de amar. O caminho é longo e precisa de decisões coerentes que incidam diretamente na vida e se concretizem em gestos e atitudes correspondentes. É impossível acreditar, de verdade, naquilo que não se vivencia a cada dia. É preciso aprender a tomar decisões na solidão da própria intimidade com Deus, e a vivenciá-las...sem fazer alarde nem tomar atitude de vítima.

Quem opta assim, sabe que a sua opção é apenas uma resposta cheia de gratidão e de simplicidade.





quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pelo sonho é que vamos...

"Como escreveu o poeta Sebastião da Gama. É o sonho que comanda a vida, como escreveu outro poeta. Na verdade é o sonho que nos guia e é pelo sonho que, muitas vezes, conquistamos mais do que aquilo de que nos imaginávamos capazes.

Sonhar é bom. Faz bem à alma, alimenta o espírito e dá cor aos dias. Sonhar é um direito universal e, diria mesmo, um dever de todos nós. Faz falta sonhar. Uma pessoa incapaz de sonhar é como um jardim onde as flores não conseguem crescer.

Quem já não consegue sonhar com nada está mesmo sem saber, à beira do abismo. Desistiu, desacreditou, desarmou. Baixou os braços e ficou à mercê dos sonhos (diria pesadelos) dos outros. Entregou-se em vida. Rendeu-se sem honra nem glória. Perdeu o norte.

Sonhar com dias melhores, com outra vida, uma viagem, um amor ou o que quer que seja é uma maneira de gostar mais de nós próprios e dos outros. Sonhar é quase sinónimo de acreditar e quem acredita, consegue. Quem procura, encontra.

Quando falo em sonhar quero dizer sonhar acordado, no sentido em que desejamos muito uma coisa. Em que acreditamos que somos capazes de a conseguir.

Não se trata dos sonhos que não controlamos e nos povoam as noites. Esses pertencem ao domínio do inconsciente e é nesse registo que devem permanecer. Falo dos sonhos que nos alimentam, dão força e alento para seguir em frente.

Sonhar que um dia havemos de ser alguém pode parecer um sonho banal ou infantil mas não é bem assim. Há muitas maneiras de «ser alguém» e no dia em que encontramos aquela que mais nos convém sentimo-nos realizados porque cumprimos um sonho.

Por cada sonho tornado realidade fazemos uma conquista interior. Crescemos quando o sonho nos faz alinhar com a nossa natureza mas aprendemos quando o sonho é desmedido e não foi talhado à medida das nossas necessidades reais. Acredito que Alguém (que para mim é Deus, mas para outros pode ser aquilo em que acreditam) gere um tempo que não é o nosso tempo e dá uma ordem às coisas que nem sempre conseguimos entender. É esse Alguém que se encarrega de nos ampliar os sonhos sempre que estão de acordo com aquilo que verdadeiramente necessitamos para o nosso crescimento interior mas, por outro lado, é capaz de nos dar sinais inequívocos de que estávamos a sonhar demasiado alto. Ou demasiado baixo.

Não há, por isso, que ter medo de sonhar. Aquilo que estiver cá para nós, há-de vir parar às nossas mãos enquanto aquilo que desejamos em excesso nos há-de escapar sempre, até percebermos que estamos a sonhar errado. Assim sendo e sem presunção mas com muita convicção, atrevo-me a fazer minhas as palavras de Sebastião da Gama. É pelo sonho que vamos!"



in Xis ideias para pensar de Laurinda Alves