segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pedra no caminho

Conta-se que um rei que viveu num país além-mar, há muito tempo atrás, era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos ao seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo o que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso. Nada de bom pode vir a uma nação – dizia ele – cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas.


Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.


Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois foi-se esconder atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia. Primeiro veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que levava para a moagem na mó.

Quem já viu tamanho descuido? Disse ele contrariado, enquanto desviava a sua carroça e contornava a pedra. Porque é que esses preguiçosos não mandam retirar esta pedra da estrada? E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra…

Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. A longa pluma de seu barrete ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia da sua cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra e não viu a pedra, por isso, tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado aquela pedra imensa na estrada. Então, ele também se afastou sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.

E assim correu o dia...

Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra no meio da estrada, mas ninguém lhe tocava…

Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho, mas disse a si mesma: já está escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho. E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu-a. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: "esta caixa pertence a quem retirar a pedra". Ela abriu-a e descobriu que estava cheia de ouro…

O rei apareceu então e disse com carinho: Minha filha, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto desviamo-nos deles, se assim preferimos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção, normalmente, é o preço da preguiça. Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, com um delicado boa noite, retirou-se.

domingo, 26 de setembro de 2010

Maria

 

Maria, Maria, procuro-te a Ti
Trago este vazio
E o desejo de dar cor à minha vida
Quero pintar
Esta história que estou a criarQuero gritar
Minha grandeza afirmar
Ser poeta, ser cantor ou pintor
Levar a Palavra e arriscar
Ser profeta do amor

Maria, Maria, Mãe do silêncio
Mão da Humanidade
Em Teu seio o meu Senhor se gerou
E Tu O contemplaste
Cheia de amor e ternura
Teu filho desejado
E por Ti muito amado
Minha Senhora e minha Mãe
Ensina-me a amar e arriscar
Ser profeta do amor

Figueira da Foz




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tempo para tudo

Tudo tem seu tempo, há um momento oportuno para cada empreendimento debaixo do céu.
Tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de colher a planta.
Tempo de matar, e tempo de sarar; tempo de destruir, e tempo de construir.
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de gemer, e tempo de dançar.
Tempo de atirar pedras, e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar, e tempo de se separar.
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar, e tempo de costurar; tempo de calar, e tempo de falar.
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caminho


Temos as nossas motivações para caminhar. Dificilmente caminhamos com entusiasmo. Se nos faltam as razões para tal...
Por vezes, acontece-nos partirmos inseguros, apreensivos e até tristes e solitários, dando passos que parecem cair no vazio;
Outras vezes...
Caminhamos seguros e eufóricos. Porque experimentamos um momento de estímulo. Fomos seduzidos e ousamos prosseguir. E ainda há outros momentos em que caminhamos simplesmente. E damos connosco a viver, a estudar, a procurar emprego, a comprometermo-nos com os outros, sem perguntar se a nossa vida não poderia ter outro rumo. Quantas vezes não seguimos errantes, mesmo com a fé!
Para nós, homens e mulheres da Nova Aliança, iluminados pela Luz da Ressurreição, não importa saber onde vamos parar, mas sim que Ele vai connosco...
Ele é o nosso estímulo e o nosso Guia!
Ele é a herança e a Terra prometida!
Por isso pomo-nos a caminho constantemente.

(In Diário do Peregrino-Roma 95)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Pois quando sou fraco, então é que sou forte."

"Por isso me comprazo nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias, por Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte." 2Cor 12, 10


Quantas vezes damos por nós a pensar que somos fracos, que nada valemos, que no fundo não temos nada de bom? É nestes momentos em que esta citação bíblica faz todo o sentido...porque é realmente quando achamos que somos fracos que vamos buscar forças (dizemos nós que não sabemos onde!). Vamos buscar forças Àquele que nos criou...à sua imagem e semelhança, vamos buscar forças à nossa família, vamos buscar forças aos nossos amigos...que nos acompanham nas festas mas que nos puxam as orelhas quando erramos...mas mais importante...que nos acolhem e nos perdoam verdadeiramente quando erramos.